Sobre a perspectiva da narrativa e a função do narrador: Uma reflexão do romance de José J. Veiga, A Hora Dos Ruminantes
Yoshiko Eguchi
José J. Veiga (1915-1999) estreou como escritor com um livro de contos, Os cavalinhos de Platiplanto em 1959. Este momento coincidiu com o boom da literatura latino-americana e, devido ao estilo fantástico que o autor adotou em seus textos, foi considerado como sendo influenciado pelo Realismo Mágico.
Desse modo, esta tese visa desvendar o relacionamento da obra do autor com o Realismo Mágico, analisando a perspectiva da narrativa e a função do narrador, utilizando como base o romance, A Hora dos Ruminantes (1966). No primeiro capítulo, apresentaremos os estudos sobre Veiga e as características do Realismo Mágico as quais apresentam duas faces: uma que é a perspectiva coletiva da narrativa e uma outra que é a função do narrador que é de controle, testemunha e ideologia. No segundo capítulo, demonstraremos os locais dos acontecimentos e as personagens do romance. No terceiro capítulo, veremos como se constitui a formação da perspectiva coletiva na narrativa. No quarto capítulo, examinaremos o tempo usado pelo narrador para contar e organizar os contextos e as principais funçãoes do narrador, arugmentando, no final, que o romance reflete os elementos do Realismo Mágico.
No último capítulo, nas considerações sobre o papel do narrador como testemunha, buscaremos tecer alguns argumentos sobre a intenção do autor, bem como suas reflexões acerca dos problemas sociais, os quais permanecem vivos até nossos dias.